Verminoses gastrintestinais

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Introdução

Verminoses gastrintestinais estão entre os principais desafios sanitários da ovinocultura, em especial em sistemas extensivos e semiextensivos, onde o animal passa a maior parte do ano em contato direto com a pastagem. A contaminação por vermes é algo inevitável na ovinocultura, a pergunta não deve ser se os animais serão contaminados, e sim o quanto essa exposição vai impactar no desempenho produtivo.

Quem chega buscando informação sobre verminose costuma já ter em mente um nome específico, a hemoncose, causada pelo Haemonchus contortus, e não é sem razão, esse é o parasito mais estudado e tende a ser o de maior impacto para a cadeia ovina. Mas tratar verminose como sinônimo de hemoncose é um erro comum que este texto quer desfazer. Vários gêneros de vermes podem conviver no mesmo rebanho, cada um causando um tipo de prejuízo diferente, com localização, sinal clínico e comportamento sazonal próprios, e entender esse conjunto é o primeiro passo para um controle que funcione ao longo do ano inteiro.

Principais gêneros de verminoses gastrintestinais

A composição da população de vermes não é algo fixo, ela tende a variar de propriedade para propriedade, de região para região, pela época do ano e conforme o manejo. No Sul do Brasil, por exemplo, o nematódeo mais importante em ovinos costuma ser o Haemonchus contortus, seguido por Ostertagia spp., Trichostrongylus spp. e Nematodirus spathiger (RUAS; BERNE, 2001). Já um estudo realizado em São Paulo encontrou uma composição diferente, de 63% de Haemonchus, 24% de Trichostrongylus, 7% de Cooperia e 6% de Oesophagostomum (FREITAS et al., 2025).

Embora com proporções diferentes, é possível observar um padrão que tende a se repetir na maioria dos levantamentos brasileiros, em que o Haemonchus contortus aparece como o gênero dominante. Conhecer a localização, o comportamento sazonal e o sinal clínico de cada um contribui para o controle ao longo do ano inteiro.

Haemonchus contortus, popularmente chamado de “vermelhinho da coalheira”, se instala no abomaso e se alimenta de sangue, provocando anemia que, além de perdas produtivas, pode matar em caso de infecção maciça ou acima da capacidade de resposta do animal, em especial cordeiros. Devido à sua alta fecundidade (uma fêmea coloca de 5 a 10 mil ovos por dia), o que acelera a contaminação das pastagens, e à capacidade de selecionar populações resistentes aos anti-helmínticos, é o parasito mais estudado e o de maior impacto na ovinocultura, a ponto de “hemoncose” acabar sendo usada, por engano, como sinônimo de verminose. No Sul do Brasil, pode estar presente durante todo o ano, mas os períodos de maior desafio tendem a ser do verão até o início do outono, quando calor e umidade coincidem, favorecendo o desenvolvimento do verme (SIMÕES et al., 2022; AMARANTE, 2015). Hemoncose é abordada com maior profundidade em tema próprio.

Teladorsagia circumcincta, ainda referida por muitos autores pelo nome mais antigo, Ostertagia circumcincta, também parasita o abomaso, mas, diferente do Haemonchus, não é hematófaga, alojando-se nas glândulas gástricas e prejudicando a digestão de proteínas. Isso causa perda de proteína pelo aparelho digestivo, que em infecções graves leva a hipoalbuminemia, edema e emagrecimento. Os sinais mais comuns são diminuição do apetite e diarreia. É registrada com frequência em ovinos do Sul do Brasil, onde tende a aparecer mais no inverno e na primavera, justamente quando o frio já reduziu a força da hemoncose (SIMÕES et al., 2022).

Trichostrongylus colubriformis se aloja no terço inicial do intestino delgado, onde forma túneis no epitélio das vilosidades, causando atrofia das vilosidades e comprometendo a absorção de nutrientes. A diarreia é o principal sinal, podendo ser severa e, em casos mais graves, negra e fétida (MONTEIRO, 2017). Em infecções maciças, o emagrecimento decorre da própria diarreia somada à redução de proteína absorvida. Costuma ganhar espaço justamente quando o Haemonchus perde força, no inverno e na primavera (SIMÕES et al., 2022).

Outros gêneros também estão presentes no Sul do Brasil, com peso clínico menor que os três anteriores, mas vale conhecê-los. Nematodirus spathiger provoca atrofia das vilosidades do intestino delgado sem penetrar a mucosa, causando diarreia e desidratação, e é considerado um parasito especialmente importante para cordeiros (MONTEIRO, 2017). Cooperia spp. e Strongyloides papillosus, embora normalmente causem quadros mais brandos, danificam o intestino delgado por um mecanismo semelhante ao do Trichostrongylus, prejudicando a absorção de nutrientes e causando diarreia (AMARANTE, 2015); este último ainda tem a particularidade de infectar cordeiros muito jovens, sendo a maioria das infecções assintomática, com sinais como queda de apetite e diarreia intermitente surgindo só em infecções maciças (SIMÕES et al., 2022). Oesophagostomum columbianum, por fim, forma nódulos principalmente no intestino grosso, manifestando-se com anorexia, aumento do peristaltismo e diarreia mucoide e fétida, às vezes com sangue, sendo os animais jovens os mais afetados (SIMÕES et al., 2022).

Clima, sazonalidade e sobrevivência das larvas

Essa diversidade explica por que a população de vermes de um rebanho não é estática ao longo do ano, ela muda de composição conforme o manejo, o clima e principalmente a estação. Cada gênero tem uma janela climática em que se desenvolve melhor no ambiente, e o fator decisivo nessa equação é a soma da temperatura com a umidade.

O desenvolvimento do ovo e das larvas iniciais do ciclo, chamadas L1 e L2, depende de umidade para acontecer, praticamente parando quando ela falta, e mesmo a larva infectante L3, mais resistente à dessecação, depende de uma fina película de água na pastagem para migrar do esterco até a folha onde vai ser ingerida pelo ovino (O’CONNOR; WALKDEN-BROWN; KAHN, 2006). A temperatura ótima para o desenvolvimento da maioria das espécies fica entre 18°C e 26°C (SIMÕES et al., 2022), mas os gêneros não reagem da mesma forma ao frio, o Haemonchus tem temperatura mínima de eclosão de 9°C, enquanto na Teladorsagia é de 4°C (O’CONNOR; WALKDEN-BROWN; KAHN, 2006), o que ajuda a explicar por que um resiste ao inverno melhor que o outro.

Uma faixa de temperatura amena a quente combinada com chuva costuma disparar a contaminação da pastagem, enquanto frio intenso tende a interromper o desenvolvimento quase por completo. Esse mesmo mecanismo explica por que o alívio trazido pela seca pode se inverter rapidamente, quando a chuva volta com força e de forma concentrada, boa parte das larvas retidas se desenvolve praticamente ao mesmo tempo, liberando de uma vez um volume de larvas infectantes que, numa chuva mais gradual, demoraria mais para aparecer na pastagem. Em pastagens irrigadas por aspersão, esse risco tende a ser contínuo, já que esse método favorece a migração da larva para a folhagem (O’CONNOR; WALKDEN-BROWN; KAHN, 2006).

A larva infectante conta com uma proteção extra logo na fase de vida livre, o próprio bolo fecal funciona como um microclima protegido, e mesmo em períodos secos a umidade retida dentro dele pode bastar para permitir o desenvolvimento até o estágio infectante (SIMÕES et al., 2022). Dependendo do clima e da região, essa larva sobrevive por muito mais tempo do que costuma se imaginar, um levantamento feito no Sul do Brasil estimou que o tempo necessário para uma pastagem se descontaminar sozinha varia de 182 a 350 dias conforme a estação do ano, praticamente um ano em alguns cenários (POLI et al., 2020). Além dessas estratégias no ambiente, alguns desses vermes ainda podem pausar o próprio desenvolvimento já dentro do hospedeiro, um fenômeno chamado hipobiose, que os protege de condições desfavoráveis e é descrito em Ostertagia e Trichostrongylus (SIMÕES et al., 2022).

Essa dinâmica também muda de região para região dentro do Brasil, no semiárido nordestino a alternância entre seca prolongada e chuva concentrada impõe um padrão de contaminação que tende a ser distinto do que se observa no bioma pampa, com prevalência elevada de vermes ao longo de quase todo o ano em algumas áreas (AMARANTE, 2015).

Vale ainda um parêntese de diagnóstico diferencial, afinal, nem toda diarreia ou emagrecimento num cordeiro é verminose. A eimeriose, por exemplo, é causada por um protozoário do gênero Eimeria e não é classificada como verminose, mas produz sinais similares (como diarreia e perda de peso) afetando principalmente os animais jovens. Nesses casos, o exame de fezes é a ferramenta que resolve a dúvida e diferencia os parasitos (SIMÕES et al., 2022). Outra ressalva, de organização, este tema cobre os nematódeos gastrintestinais, mas os ovinos também podem ser acometidos por outros grupos de vermes, entre eles a Fasciola hepatica ou a Moniezia spp. (visível a olho nu nas fezes, mas de baixo impacto patológico), cada um abordado em tema próprio.

Controle integrado, os pilares que sustentam o resultado

É comum ouvir que o ciclo do verme dura 21 dias e que, por isso, descansar um potreiro por esse período já seria suficiente para eliminar o risco de novas infecções. Esse número corresponde ao período pré-patente (PPP), o tempo que o parasito leva para amadurecer dentro do hospedeiro e voltar a produzir ovos, em média de 14 a 21 dias (SIMÕES et al., 2022), não ao tempo que a larva sobrevive no ambiente à espera de ser ingerida, que pode se aproximar de um ano dependendo da região e da estação. Esta é uma das principais razões pelas quais nenhuma medida isolada resolve o problema, e por que o controle da verminose depende da combinação de várias estratégias simultaneamente.

A contagem de ovos por grama de fezes (OPG) é fundamental nesse processo, funciona como um raio-x da carga parasitária do rebanho naquele determinado momento e ajuda a decidir qual estratégia de controle faz mais sentido usar. Como os ovos da maioria desses vermes são visualmente idênticos ao microscópio, o OPG sozinho não diz qual gênero está presente, é aí que entra a coprocultura, que incuba as fezes até as larvas nascerem, permitindo a identificação visual de cada gênero. Já o teste de eficácia usa a mesma lógica em outra direção, duas contagens de OPG em sequência, uma antes e outra depois do tratamento com o princípio que se quer avaliar, mostram se aquele anti-helmíntico possui eficácia no rebanho. Repetir esse teste a cada dois anos ajuda a identificar a tempo como está o funcionamento dos produtos. Os três exames são abordados com mais profundidade em tema próprio.

O manejo de pastagem está no alicerce do controle integrado, e reúne diferentes estratégias que atuam reduzindo a contaminação do ambiente antes que o animal seja exposto às larvas infectantes. A rotação de potreiros, dando descanso suficiente para que a carga de L3 diminua antes do retorno do rebanho, é a ferramenta mais direta, embora o tempo necessário varie bastante conforme a estação, como já vimos. O pastejo alternado ou misto com bovinos adultos e equinos aproveita a especificidade parasitária dos nematódeos, a maior parte das larvas de parasitos de ovinos tende a não completar o ciclo em outras espécies, e vice-versa, o que ajuda a “limpar” o pasto sem depender só do tempo de descanso. A taxa de lotação também pesa diretamente na pressão de infecção, rebanhos mais concentrados por área depositam mais fezes contaminadas no mesmo espaço, aumentando a densidade de larvas disponíveis para reinfecção. Já a integração lavoura-pecuária interrompe o ciclo de forma mais definitiva, a área fica fora do pastejo direto por um período mais longo enquanto ocupada pela lavoura, o que reduz a sobrevivência de larvas no solo. A fenação e a ensilagem seguem lógica parecida, por outro caminho, a forragem é colhida antes de ser oferecida ao animal, o que interrompe o ciclo dos vermes.

Vale reservar atenção especial às categorias de maior risco. Cordeiros recém-desmamados e ovelhas no periparto enfrentam queda na resposta imune (por imaturidade, no primeiro caso, e por influência hormonal, no segundo) exatamente nos momentos em que a pressão parasitária tende a ser maior (MINHO, 2014). Reservar pastagens de melhor qualidade e menor contaminação, como campos que estavam sem animais, para esses grupos nesses períodos é uma forma simples de reduzir o impacto.

A qualidade nutricional oferecida ao animal influencia diretamente sua capacidade de resposta à infecção parasitária. Animais bem nutridos toleram e se recuperam melhor da carga parasitária, mesmo sem alteração na exposição às larvas no pasto. Isso fica evidente quando cordeiros com acesso a forragem ou suplementação de melhor qualidade apresentam menor infecção mesmo pastejando na mesma área que os demais, o que reforça a nutrição como ferramenta de controle (POLI et al., 2020).

O uso de anti-helmínticos segue sendo ferramenta de controle, mas seu uso indiscriminado é o principal fator por trás da resistência parasitária, assunto abordado com mais profundidade em tema próprio. Tratar todo o rebanho ao mesmo tempo, de forma sistemática, aumenta a pressão de seleção sobre a população de vermes, os poucos indivíduos resistentes ao produto sobrevivem e passam a representar uma fatia cada vez maior das gerações seguintes, já que não sobra população sensível para diluir esse efeito. O conceito de refugia parte do princípio oposto, manter uma parte do rebanho sem tratamento preservando uma população de parasitos ainda sensíveis, o que retarda a seleção de resistência ao longo do tempo.

A seleção genética contra a verminose se apoia na variabilidade natural de resistência entre os animais do rebanho, alguns carregam menos parasitos que outros mesmo expostos às mesmas condições. O método FAMACHA, historicamente usado para orientar o tratamento seletivo, também funciona como ferramenta indireta de seleção, orientando o descarte dos animais sensíveis, aqueles que repetidamente demandam tratamento. A mesma lógica se aplica à seleção de carneiros, mas usando o OPG e medindo a carga parasitária de forma direta. Como cada reprodutor tem peso desproporcional na próxima geração, descartar os carneiros com OPG mais alto tende a ampliar o efeito sobre a resistência do rebanho ao longo das gerações. Benavides et al. (2025) confirmam esse potencial em escala de rebanho, descartar os animais mais parasitados, identificados por três coletas de OPG entre o desmame e a estação de monta, reduziu o OPG médio do rebanho de forma significativa.

Retirar o animal do contato com o pasto é, em tese, a forma mais radical de quebrar o ciclo, já que sem acesso à pastagem não há reinfecção por larvas. O confinamento total muda o desafio sanitário do rebanho, e a verminose gastrintestinal deixa de ser um problema relevante nesse sistema. Isso, porém, tem custo e estrutura que fogem da realidade da maior parte das propriedades. Sistemas semiconfinados não trazem essa vantagem, o animal ainda acessa o pasto em algum momento, e o contato com a pastagem contaminada permanece, como esses sistemas costumam operar com lotação mais alta, o desafio parasitário por vezes é maior do que num sistema extensivo tradicional.

Fungos nematófagos, taninos condensados e vacina comercial contra o Haemonchus (Barbervax®, licenciada na Austrália em 2014) representam possibilidades futuras de controle, mas que carecem de alguns avanços para se tornarem opções seguras para o produtor. Os fungos podem ser distribuídos no ambiente, o que exige condições específicas de clima, ou consumidos diariamente no cocho em volume controlado, o que nem sempre é possível na rotina de campo. Os taninos mostram resultados promissores, mas a dose eficaz ainda precisa de ajuste. E a vacina, mesmo já testada no Brasil, mostra eficácia parcial, exige múltiplas doses ao longo de meses e com custo elevado (atualmente sem registro comercial no Brasil). A seleção por marcadores moleculares, ainda incipiente, é outra frente que deve avançar nos próximos anos. São caminhos que exigem mais pesquisa e entendimento antes de virarem recomendação segura para o produtor.

A biossegurança fecha o quadro, começando pela quarentena de animais adquiridos antes de entrarem no rebanho, evitando a introdução de populações de parasitos resistentes vindas de outras propriedades. O manejo de currais e o esterco acumulado próximo às instalações também merece atenção, esterqueiras evitam que essas áreas se tornem foco de contaminação. Por fim, nenhuma dessas ferramentas funciona isolada nem de forma pontual, o controle da verminose exige acompanhamento contínuo, ajustado à realidade de cada propriedade e revisado ao longo do tempo.

Convivendo com a verminose

Vale fechar esse panorama com uma expectativa realista. A maior parte da população de vermes de uma propriedade não está dentro dos animais, está no campo, estimativas apontam que a pastagem pode concentrar até 90% de toda a carga parasitária de uma propriedade (SIMÕES et al., 2022). Some-se a isso a resiliência da larva dentro do próprio bolo fecal e a facilidade com que a população de vermes seleciona indivíduos resistentes aos anti-helmínticos, e fica claro que eliminar a verminose de uma propriedade não é um objetivo realista. A meta prática deve ser outra, manter o desafio parasitário num nível que o rebanho consiga conviver sem perder produtividade, e essa lógica sustenta cada um dos pilares descritos acima.

Erros comuns e pontos de atenção

  • Confundir hemoncose com verminose. Tratar os dois como sinônimos faz esquecer que outros gêneros de vermes também causam prejuízo real e respondem a manejos diferentes.
  • Depender só do pastejo rotacionado. Sua eficácia varia muito com o clima, em alguns casos o tempo de descanso necessário pode ser impraticável, e sem outras medidas associadas o resultado costuma não ser satisfatório.
  • Vermifugar sem diagnosticar antes. Tratar o rebanho por hábito, sem saber a real necessidade, acelera a resistência parasitária sem necessariamente resolver o desafio.
  • Achar que o semiconfinamento resolve a verminose. O animal ainda acessa o pasto em algum momento, e a lotação mais alta desses sistemas pode até agravar o desafio parasitário em vez de reduzi-lo.
  • Usar o FAMACHA como critério único de tratamento. O método funciona bem para hemoncose, já que se baseia na anemia, mas não sinaliza infecções por gêneros não hematófagos, como Teladorsagia e Trichostrongylus.
  • Não repetir o teste de eficácia dos anti-helmínticos. Um produto que funcionou bem no passado pode perder eficácia com o tempo, e isso só se confirma testando periodicamente.

Perguntas frequentes

Verminose é a mesma coisa que hemoncose?

Não necessariamente. Hemoncose é a verminose causada especificamente pelo Haemonchus contortus, o parasito mais estudado e mais associado a mortalidade em ovinos, mas o rebanho costuma conviver com vários outros gêneros ao mesmo tempo, cada um com sinal clínico e época de maior risco próprios.

Por que a verminose piora em determinadas épocas do ano?

Porque o desenvolvimento do parasito no ambiente depende de temperatura e, principalmente, de umidade. Períodos quentes e chuvosos costumam acelerar a contaminação da pastagem, enquanto frio intenso e seca prolongada tendem a reduzi-la, embora a larva já instalada no esterco consiga resistir por bastante tempo mesmo em condições desfavoráveis.

O pastejo rotacionado sozinho resolve o problema da verminose?

Não. Ele ajuda a reduzir a contaminação da pastagem, mas sua eficácia varia muito conforme o clima da região, e em algumas condições o tempo de descanso necessário para reduzir a contaminação na pastagem se aproxima de um ano, o que pode não ser viável em muitas propriedades.

É possível eliminar a verminose de uma propriedade?

Na prática, não. A maior parte da carga parasitária vive na pastagem, não dentro dos animais, e as larvas têm capacidade de sobreviver ao ambiente. O objetivo realista é manter o desafio parasitário dentro de um nível que o rebanho suporte sem perder produtividade.

Como saber quais vermes estão presentes no meu rebanho?

Por meio de exame de fezes, principalmente a contagem de ovos por grama (OPG) e a coprocultura, que identifica os gêneros presentes. Esse diagnóstico é parte fundamental para desenvolver uma estratégia de controle.

Existem alternativas futuras para o controle da verminose?

Sim, mas ainda não são soluções práticas hoje. Fungos nematófagos, taninos condensados, uma vacina comercial contra o Haemonchus (já testada no Brasil, mas sem registro comercial no país) e a seleção por marcadores moleculares são frentes reais, mas que ainda carecem de avanços para se tornarem recomendação segura ao produtor.

Referências

  1. AMARANTE, A. F. T. Os parasitas de ovinos. São Paulo: Editora Unesp Digital, 2015.
  2. BENAVIDES, M. V.; SOUZA, C. J. H. de; MORAES, J. C. F.; OLIVEIRA, J. C. P. Como reduzir a média da contagem de ovos por grama de fezes (OPG) nos rebanhos ovinos. Bagé: Embrapa Pecuária Sul, 2025. (Comunicado Técnico, 112).
  3. FREITAS, L. A. et al. Detection of anemic sheep using ocular conjunctiva images and deep learning algorithms. Livestock Science, 2025.
  4. MINHO, A. P. Endoparasitoses de ovinos: conhecer para combater. Bagé: Embrapa Pecuária Sul, 2014. (Circular Técnica, 45).
  5. MONTEIRO, S. G. (Org.). Parasitologia na Medicina Veterinária. 2. ed. Roca/GEN, 2017.
  6. O’CONNOR, L. J.; WALKDEN-BROWN, S. W.; KAHN, L. P. Ecology of the free-living stages of major trichostrongylid parasites of sheep. Veterinary Parasitology, v. 142, p. 1-15, 2006.
  7. POLI, C. H. E. C. et al. Management strategies for lamb production on pasture-based systems in subtropical regions: a review. Frontiers in Veterinary Science, 2020.
  8. RUAS, J. L.; BERNE, M. E. A. Parasitoses por nematódeos gastrintestinais em bovinos e ovinos. In: RIET-CORREA, F. et al. (Org.). Doenças de Ruminantes e Equinos. v. 2. Varela, 2001. p. 89-117.
  9. SIMÕES, S. V. D.; RAIMONDO, R. F. S.; RIET CORREA, B. Parasitoses gastrintestinais de pequenos ruminantes: os desafios do controle. Revista Brasileira de Buiatria, v. 2, n. 2, p. 24-77, 2022.

Temas relacionados

  • Hemoncose (verme do abomaso, biologia e impacto)
  • OPG e coprocultura (interpretação prática dos exames)
  • Vermifugação estratégica, seletiva e supressiva
  • Resistência parasitária (origens, evidências e manejo)
  • FAMACHA (tratamento seletivo para hemoncose)
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